Noite No Saloon I

Nunca tinha me imaginado nessa situação. Só tinha visto isso na televisão, mas agora sinto na pele como que é. Sempre achei legal ver os caras sentados na bancada do bar, tomando doses de whisky, fumando, ao fundo algumas mesas de madeira com mais pessoas na mesma situação, claro, sem esquecer das mesas de sinuca e como plano fundo tocando aquelas músicas que abraçava e combinava perfeitamente com o sentimento de solidão deles. No fundo esses lugares sempre me encantaram, não sei dizer o porquê, talvez por ter pessoas na mesma situação que eu, talvez também por ser um lugar que eu consiga ficar à vontade com minha solidão. Por mais melancólico que seja… eu gosto.

– Por favor, mais uma dose! – Peço para a atendente que limpa a bancada onde estou com meu copo e onde há um cara debruçado ao meu lado. Algo normal nesses lugares onde você não encontra um que não esteja bêbado.

– Com todo prazer! – Diz a atendente sorrindo.

Ela se vira e pega uma garrafa de whisky, abre e a vira delicadamente para que o líquido saísse devagar em meu copo.

A fico olhando e fico imaginando. Coisa linda, uma mulher tão linda trabalhando em um lugar como esse. Alta, cabelos pretos e lisos, com suas pequenas sardinhas em suas bochechas que a deixam sexy e seus olhos escuros que até brilham por causa das luzes. E antes que eu pudesse imaginar mais coisas…

– Se continuar assim só vai sair daqui carregado. – Diz a atendente me olhando nos olhos e ainda colocando whisky no meu copo.

– O que importa mesmo pra mim é esquecer o que está aqui. – Digo apontando para minha cabeça e para o meu peito.

– Vá por mim, isso só fará com que você esqueça durante essa noite. Amanhã cedo volta pior – Ela me diz fechando a garrafa e fazendo sinal de negação com a cabeça.

– Por que você se importa? – Digo com a voz bem suave e a olhando fixadamente.

– Eu já estou acostumada com isso. Todos os dias há dezenas de caras igual a você aqui. Sozinhos, querendo esquecer seus problemas e querendo destruir a própria vida. No dia seguinte estão todos aqui de volta, igual a você, décimo dia consecultivo, não é? – Ela diz com uma voz entristecida.

– Quero que se foda, eu já não tenho mais nada a perder. – Digo calmamente, mesmo que parecesse grosseito, porém disse com uma frieza que senti no estômago. Aquele vazio que incomoda no peito e o desespero que vem e desaparece ao mesmo tempo. – Pego meu copo de whisky e viro em um gole só.

– Boa sorte então. – Diz a atendente saindo do balcão e entrando em uma porta ao lado.

– Caralho! Será que ela ficou chateada comigo? Merda! Preciso falar com ela.

Me levanto, porém parece que o mundo está andando sozinho, as coisas não param quietas. – Merda! Começo a andar, mesmo que não seja em linha reta e chego até a porta em que a atendente entrou. Abro a porta lentamente e escuto um barulho de choro. Passo a mão em minha cabeça lentamente e fecho meus olhos. – Não acredito. Moça? Moça? A vejo sentada chorando. Porém ela se vira para mim e diz:

– Você não deveria estar aqui! – Ela diz tentando disfarçar o choro.

– É que eu não queria … -Sem ao menos eu terminar de falar ela se levanta e me da um abraço bem forte.

– Mas por que? – Digo confuso.

Ela fica em silêncio. Porém esse abraço me deixa confortado de alguma maneira. Me sinto bem com ele. Até parece que ela está tentando me proteger de algo. Mas do que? Não sei, só sei que estou bem aqui agora. Que anjo! Me rendo ao abraço dela e a abraço de volta.

– Me perdoe! -Digo bem baixinho.

(Continua)

-William Heleno

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