Antes de você ler, quero que entenda que esse texto não tem explicação. Talvez uma doideira? hm, coloque um fone e sinta.
Enquanto eu respirava, a noite vinha mais rápido. Quanto mais fundo eu respirava, mais a brisa gelada me consumia. A cada piscar, um toque seu. A cada arrepio, um beijo.
Procurava e não te encontrava. Fechei os olhos e pude lhe sentir ali comigo. Paralisei, e até meus pensamentos pararam. Estava flutuando. O vento em minha orelha me dizia coisas que eu não entendia.
Consegui abrir os olhos e estava flutuando no mar, sem horizontes, sem barulho. E isso não me assustava. Senti uma mão em minha perna e, antes que eu pudesse tentar escapar, ela me puxou, me afundando. Meu coração batia forte e cada vez mais rápido. Em segundos, parou.
Minha respiração veio ofegante. Como? Abri os olhos. Estava eu, flutuando sobre as nuvens. A paz me consumiu, e sorri. Olhei para a lua. Parecia com seu olhar.
Aquelas vozes novamente vieram e, antes que eu pudesse entender, comecei a cair. Meus olhos se fecharam e não pude fazer nada.
Senti sua mão se entrelaçando na minha. Senti sua boca em minha orelha, e quando ouvi docemente a palavra:
— Você…
Acordei com a lua brilhando na janela.
-William Heleno


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